Por que pode ser bom receber um investimento de Private Equity?

(Parte 2 de 2)

Por que pode ser bom receber um investimento de Private Equity? (Parte 2 de 2)
7 de maio de 2018 imeri

No texto anterior, abordamos não exaustivamente duas situações respondendo à pergunta “Por que pode ser bom receber um investimento de Private Equity?”. Foram elas: (i) capital e experiência para crescimento inorgânico, e (ii) redução de exposição ao risco do negócio para o empresário. Como indicamos ao final, seguem agora mais três circunstâncias nas quais pode ser interessante receber um investimento de private equity:

  • Planejamento sucessório

São recorrentes os casos de processos sucessórios de empresas familiares nos quais nem todos os filhos tenham interesse em seguir como executivos da companhia. Nestes casos, pode ser muito interessante para a família ter um sócio-investidor que ajude a organizar a gestão e estabelecer boas práticas de governança corporativa na companhia. Assim, os filhos que permanecerem no negócio deverão obedecer às regras de governança no melhor interesse da companhia e os demais filhos terão a segurança de que não haverá conflitos de interesse dos que permanecem. Isto é, além das regras, haverá um outro acionista imparcial que visará os melhores resultados para a empresa.

Da mesma forma, pode ser complexa a correta precificação do negócio a valores de mercado para embasar a partilha dos outros ativos a serem transferidos para os herdeiros. A entrada do investidor é sempre precedida do estabelecimento do preço das ações, que resolverá tal problema, além de liberar outros ativos e liquidez da família para a transferência aos herdeiros.

  • Reestruturação societária com implantação de governança corporativa

De forma semelhante ao que foi mencionado em relação a planejamento sucessório, em companhias onde questões entre sócios podem ou precisam ser solucionadas com a saída total ou parcial de um determinado acionista/grupo, a entrada de um investidor financeiro é valiosa. Ela promove recursos para aquisição de tal participação e ao mesmo tempo impulsiona a organização da governança corporativa para a retirada de eventuais conflitos de interesses entre as partes. Adicionalmente, provoca a formatação de gestão executiva profissional independente dos interesses específicos de cada acionista ou grupo de acionistas. Contudo, são raros os investidores que têm interesse em aportar recursos em uma companhia alvo de disputa litigiosa, portanto os conflitos precisam ser convergidos de antemão, com os acionistas sempre observando o melhor para a companhia ao invés de apenas seus interesses individuais.

Por fim, voltamos à razão mais comum:

  • Capital para crescimento

O empresário recorrentemente descobre/desenvolve diversas oportunidades de crescimento no negócio onde atua, que demandam capital para serem viabilizados. Estas oportunidades comumente ficam “na gaveta” porque não há recursos disponíveis da própria geração de caixa para sua execução ou porque o empresário não quer tomar o risco de ficar exposto a alto endividamento para tais projetos. Uma boa forma de resolver este impasse é trazer um sócio-investidor com tal capital adicional.

Em adição ao aspecto financeiro, normalmente o empresário tem excelente perfil comercial e operacional, bem como boa visão estratégica para o negócio, porém a companhia pode se desenvolver muito com o apoio do investidor em gestão financeira profissional e governança corporativa. Ou seja, organizar os procedimentos para a tomada de decisões na companhia, com consequente redução da dependência do empresário como executivo na gestão administrativo-financeira da empresa. Ademais, as regras ficam claras perante os executivos e sócios, e o empresário passa a poder dividir o risco das decisões estratégicas que antes são apenas dele.

A entrada de um investidor profissional também melhora a relação com o mercado financeiro para acesso a financiamentos. Os credores passam a ter maior confiança tendo informações de qualidade, profissionais preparados e um acionista-investidor que tem benchmark de boas práticas, diminuindo-se assim o risco de crédito da companhia.