Por que pode ser bom receber um investimento de Private Equity?

(Parte 1 de 2)

Por que pode ser bom receber um investimento de Private Equity? (Parte 1 de 2)
15 de janeiro de 2018 imeri

A primeira resposta que ouvimos normalmente para esta pergunta é: “para acessar capital para a companhia em alternativa aos empréstimos e financiamentos disponíveis em mercado, que demandam garantias e normalmente vêm acompanhados de juros altos, ou mesmo à capitalização adicional pelo empresário”. Nesta resposta é comum também estar incluído o conceito de capital que é acompanhado de suporte na gestão financeira da companhia.

Gostaríamos de adicionar, de forma não exaustiva, outros temas para reflexão, além de explorar um pouco mais este primeiro que já é mais conhecido:

  • Capital e experiência para crescimento inorgânico

Para o empresário é natural sempre pensar em oportunidades de crescimento orgânico, seja fazer melhor ou com mais eficiência o que já é o negócio da empresa, seja inovar no segmento de sua atuação para se destacar em relação à concorrência.

Entretanto, o planejamento estratégico para crescimento inorgânico é normalmente esquecido ou deixado em segundo plano. Ou seja, não é tão comum ouvirmos de empresários planos com o objetivo de consolidação dos setores onde atuam ou de crescimento em outros setores por meio de fusões e aquisições. Este plano de crescimento pode passar pela aquisição de concorrentes para expansão geográfica, expansão da carteira de clientes, ampliação da oferta de produtos/serviços, entre outros. Pode também ser mais focado em negócios complementares para obtenção de sinergias na cadeia de valor, verticalmente (por exemplo fornecedores para integração da produção) ou horizontalmente (e.g. negócios complementares não concorrentes, para promover oferta mais completa às demandas da base de clientes). Em todos estes casos, busca-se complementar o crescimento orgânico e acelerar o desenvolvimento do negócio, promovendo ganhos de escala, bem como ganho de força e estabilidade do negócio.

Neste contexto, pode ser útil trazer para a sociedade um investidor com experiência em fusões e aquisições, que possa colaborar na execução desta estratégia de consolidação das empresas-alvo mapeadas pelo empresário. Na sequência das primeiras consolidações, tal investidor poderá colaborar também no processo de busca, seleção e negociação com os novos alvos. Além disso, o capital aportado pelo investidor permite acelerar tal estratégia de crescimento em relação ao que seria possível apenas com a geração própria de caixa.

Ainda dentro do conjunto de oportunidades de crescimento inorgânico, enquadram-se as fusões de empresas. Isto é, eventualmente o empresário já está em conversas com um determinado concorrente e ambos enxergam grandes ganhos na combinação dos negócios. Contudo não são raros os casos nos quais (i) a precificação relativa dos negócios poderia gerar um desbalanceamento das participações societárias em relação ao que é desejado entre eles, ou (ii) para a obtenção dos resultados/sinergias potenciais seria necessário capital de giro adicional para o negócio combinado. Nestes casos, o aporte do fundo de private equity adiciona recursos ao negócio para equilibrar as participações e/ou para proporcionar caixa disponível para as necessidades geradas pelo crescimento.

  • Redução de exposição ao risco do negócio para o empresário

O empresário na maioria dos casos tem a maior parte do seu patrimônio alocada na companhia. Ou seja, sob a óptica do portfólio dos investimentos do empresário, o valor da participação que detém na empresa representa uma relevante concentração de seus recursos em um único ativo. Adicionalmente, a sua reserva de caixa e liquidez muitas vezes acaba sendo utilizada nos momentos de necessidade de capital da companhia. Neste contexto, o aporte de capital por um investidor é útil para que os demais recursos financeiros do empresário não sejam comprometidos com o negócio.

Em alguns casos, o investidor financeiro tem ainda a possibilidade de fazer um investimento combinado, que envolva aportes de capital no caixa da empresa (aporte primário ou cash-in) e no bolso do empresário (compra secundária ou cash-out). Dessa forma, além de não depender apenas da liquidez própria para suportar o negócio, o empresário pode gerar liquidez adicional para investir em outros ativos.

Para não nos estendermos muito, na próxima edição do Imeri Insights abordaremos mais três situações interessantes para a captação de um investimento de private equity: (i) planejamento sucessório, (ii) reestruturação societária com implantação de governança corporativa, e (iii) capital para crescimento.